• RainStorm – Capítulo 16

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    Tique-taque.

    Cidade de Aquacorde, 22 de outubro de 2016.

    Chasseur estava encarando um relógio, observa o ponteiro dos segundos, enquanto repetia.
    Tique-taque, tique-taque…
    Foi então que ele ouviu alguém chegar, ele se virou para esta pessoa, sorriu sadicamente e disse:
    Eu estava te esperando, por que demorou tanto?

    3 dias atrás.

    Cidade de Aquacorde, 19 de outubro de 2016.

    A festa continuou e todos se divertiam bastante, mas então uma visita inesperada chegou. Alguém estava gritando do lado de fora chamando pelo nome “Serena Akari”. Todos foram até fora para ver o que era e se depararam com um homem de cabelos cinzas e olhos azuis cristalinos.
    Serena Akari, estava ansioso para te conhecer. – disse ele.
    Quem é você? – questionou Serena.
    Como fui rude, esqueci de me apresentar. Eu me chamo Ludger Bleu.
    Ao ouvir o nome “Bleu”, Shiro e Kuro se lembraram de Alice e de seus passados. Aquele nome, não trazia momentos felizes para os dois irmãos. Shiro apertava o próprio punho como se estivesse controlando sua raiva.
    E o que você quer? – indagou Serena de forma direta.
    Soube que hoje é seu aniversário e trouxe um presente para demonstrar meu respeito por você. – respondeu Ludger.
    Obrigada, mas não preciso de seu presente. – disse Serena.
    Por favor, aceite, ele custou caro. – Ludger bateu palmas e um outro homem, provavelmente subordinado do Ludger, apareceu carregando uma grande caixa e entregando para Serena.
    Vamos abra! – pediu Ludger sorrindo.
    Serena abriu a caixa por cima e viu uma esfera branca bem grande.
    É uma pérola! Um bem grande e rara! – contou Ludger.
    Muito obrigada, mas por que me deu um presente tão caro? Está querendo alguma coisa? – indagou Serena desconfiada.
    Já que perguntou, eu gostaria de saber se você poderia me vender a sua mansão e seu terreno? Vou pagar muito bem.
    Agora, me lembrei do seu nome, Ludger Bleu! Você é aquele nobre que sempre fica mandando servos para fazer diversos acordos comerciais comigo e sempre no meio deles, está querendo a minha mansão. Eu sei que nunca nos encontramos, então nunca disse isto diretamente para você, mas como sempre digo aos seus servos, a mansão não está a venda!
    Tem certeza? Se conversaremos poderíamos chegar a um acordo, o que acha?
    Já disse, a mansão não está a venda! Se ficou chateado, pode levar seu presente e ir embora. – pediu Serena.
    Pode ficar com o presente, mas tenha certeza que está perdendo uma ótima oportunidade. – disse Ludger ao ir embora.
    Depois de Ludger e seus homens saírem, Serena se virou para todos e disse:
    Eu preciso contar algo.

    Após dizer isto, Serena nos guiou até um outro lugar da mansão. Deixamos as crianças com Isabele, uma das empregadas de Serena. E seguimos ela junto a Calem e William, o médico e mordomo. Serena nos levou até o local onde eu sempre treinava com Calem, caminhamos pelo jardim, que parecia mais uma floresta e chegamos a um pequeno lago quente, onde haviam Pokémons que eu nunca tinha visto, apenas em fotos. Eles era lindos, eram…

    Lapras! – exclamou Katy com olhos brilhantes ao ver diversos Lapras nadando pelo lago. – Eu posso capturá-los? – indagou Katy.
    Eles não são para serem capturados. – reclamou Serena.
    Mas, você capturou um, esqueceu, Senhorita Serena? – indagou Calem.
    Você sabe muito bem, que eu apenas o capturei, porque ele quis. Nunca capturaria um Lapras do jeito que sua espécie está em perigo de extinção. – respondeu Serena.
    Extinção? – indagou Katy.
    Você não sabe? Acho que já deveria ter me acostumado com isto. – riu Serena. – Lapras são pokémons bem raros e valem muito no mercado negro. Como eles são muito doceis, se tornaram alvos fáceis e agora estão em perigo de extinção, algo que aumentou seu valor e sua procura.
    Não estou entendendo algo, achei que Lapras morracem no mar em águas geladas. Mas aqui, é um lago e as águas são bem quentes. – disse Shiro tirando a mão do lago.
    As águas são quentes por causa das fontes termais e estes Lapras se adaptaram para sobreviverem a temperaturas maiores. Eles não estão no mar, pois como disse, lá se tornaram alvos fáceis, chegaram aqui através do rio que formou este lago e desde então, passaram a viver aqui pacificamente, sem se preocupar com ladrões ou algo do tipo. – explicou Serena.
    Então, é disto que Ludger está atrás? Dos Lapras? – indagou Shiro.
    Não sei as suas reais intenções, mas acredito que de alguma forma ele sabe dos Lapras e está tentando comprar a mansão para vendê-los. – respondeu Serena. – Não possuo uma relação muito boa com Ludger, hoje foi a primeira vez que o vi, mas quando conversava com seus servos em acordos comercias, com outras empresas e famílias, sempre acabávamos em desacordo. Além de que ele sempre tentava comprar a mansão, algo que se tornou um saco. Sei que a família Akari não tem relações muito boas com famílias nobres, mas com Ludger, isto parece ser intensificado.
    Isto é verdade, meu irmão Adol sempre me alertava que a família Akari atrapalhava bastante nas compras e acordos da família real… – Evelyne percebeu que havia falado demais.
    Adol? Família real? – repetiu Serena.
    Aaaa! Foi sem querer, escapuliu! Eu te avisei que não sou boa em guardar segredos! – berrou Eve.
    Com que você está conversando? – indago Kuro.
    É claro que comigo mesma! Não posso confiar a mim para guardar um segredo! – Eve fitou Serena e soltou outro grito. – Esqueça o que você ouviu! Eu não tenho nada a ver com a família real, nem sou uma princesa… – Eve fez silêncio por alguns segundo e soltou outro berro.
    Serena riu e perguntou:
    Isto é sério? Você realmente é uma princesa?
    Sim, meu nome completo é Evelyne Pourpre Jaune. – disse Eve receosa envergonhada.
    Uma princesa de verdade! Desculpe por tratá-la de forma tão rude, vossa Alteza. – Calem pegou a mão de Eve e a beijou, mas logo recebeu um muro em sua nuca, o fazendo cair no chão. E como na maioria das vezes que o socara, era Serena.
    Desculpe-me por ele, vossa Alteza. – disse Serena.
    Por favor, não falem assim comigo, prefiro que me chamem pelo meu nome ou apenas de Eve.
    Está certo, Eve. – Serena riu. – Você é bem diferente de seu irmão. Nunca havia conhecido nenhum nobre que nem você.
    Realmente não há. – concordou Shiro se lembrando do vício de Eve por doces.
    Com certeza. – concordou Kuro lembrando da rivalidade de Eve com o Budew.
    Mas ela é uma ótima pessoa! – sorriu Katy.
    Vocês também sabiam? – indagou Serena.
    Eu já havia contado a eles, mas pedi para não te contarem. – respondeu Eve. – Ouvi muito da família Akari, principalmente do meu irmão e soube que os nobres não gostavam muito dela, por causa da grande quantidade de dinheiro que a família Akari possui, além de não cooperar com os acordos econômicos. Os nobres e a família real, possuem muito poder e autoridade em Kalos e até em outras regiões, mas é o dinheiro que move o mundo e uma família rica que nem a família Akari, acaba se tornando um incomodo para maioria dos nobres. Não quis me revelar como uma princesa, porque pensei que se você soubesse, me rejeitaria, por causa da rivalidade entre nossas famílias. Me desculpe, por não ter dito antes!
    Não precisa disso! O que você falou é verdade, mas isto não tem nada a ver com nós duas, mesmo que nossas famílias possuam rivalidades, ainda podemos ser amigas. – Serena estendeu a mão para Eve.
    Muito obrigada! – Eve apertou a mão de Serena.
    Voltando a falar de Ludger e dos Lapras, o que devemos fazer? – indagou Shiro.
    Não se preocupem com isto, se ele pedir para que eu venda a mansão mil vezes, eu rejeitarei duas mil. – respondeu Serena.
    E o que faremos agora? – indagou Kuro.
    Vamos esquecer disto por enquanto e vamos aproveitar a festa enquanto pudermos! Afinal é seu aniversário Serena e não quero que você passe ele preocupada com tantas coisas. – sugeriu Katy.
    Você está mais do que certa. – sorriu Serena.

    Voltamos para o salão onde a festa estava ocorrendo, as crianças ainda estavam brincando, esperando pela gente. Ao chegar lá Mirai e os outros nos cumprimentaram e passamos o resto do dia, brincando com elas e jogando jogos. As crianças pediram para jogarmos Banco Imobiliário, mas elas queriam apena assistir e ficar torcendo. Resolvemos jogar em duplas, Calem queria sem o par da Serena, mas Serena não quis de jeito nenhum e no fim, resolvemos sortear que seria o parceiro de quem e eu acabei sendo a parceira do Calem.

    Não!!!! – exclamou Calem profundamente. – Katy, não é porque eu me tornei seu par, mas eu queria ter sido o par da Serena, espero que me entenda.
    Eu entendo… eu acho. – respondeu Katy.
    Parece que vamos ser nós dois juntos. – disse Serena fitando Kuro que assentiu.
    Eve, se ganharmos, vou te dar um chocolate. – disse Shiro fitando Evelyne.
    Com certeza, ganharemos! – exclamou Eve ansiosa.
    Sinto muito, mas sem querer me gabar, sou eu quem resolvo a maior parte dos assuntos econômicos e comercias da minha família, então Banco Imobiliário será como tirar o doce de uma criança. – disse Serena.
    Tirar um doce de uma criança! Serena, isto é mal e não se deve fazer! – reclamou Eve. – Tem ideia de quanto doces são importantes para elas.
    Era apenas uma metáfora. – explicou Serena. – De qualquer forma, eu e o Kuro ganharemos.
    E se eu ganhar? – indagou Calem.
    Se isto acontecer, farei qualquer coisa que você quiser. Mas como eu sei que não vai, nem preciso me preocupar. – disse Serena.
    Você terá que manter as suas palavras até o fim. – alertou Calem.
    Manterei! E quando eu ganhar, você parará de tentar agarrar meus peitos, enquanto estou dormindo. Está de acordo? – questionou Serena.
    Pode vir comigo, monstro! – Entre os olhos de Calem e Serena era possível ver faíscas e pequenos raios.
    O jogo continuou por um tempo e por fim o vencedor foi…
    Eu ganhei! – comemorou Calem.
    Nós ganhamos – consertou Katy.
    Isto é impossível! Como eu fui perder! – berrou Serena.
    Hehehe, agora você vai ter que fazer o que eu quiser, hehehe. – riu Calem pervertidamente.
    Sinto pena da Serena, agora Calem vai realizar os desejos mais eróticos e pervertidos que ele possui. – comentou Eve.
    Coitadinha. – comentou Shiro.
    Ela perdeu, então a culpa é dela. – disse Kuro.
    Mas, você era meu parceiro! Eu confiei em você! – berrou Serena.
    Confiou nada! Eu disse para comprarmos a Avenida Bidoof antes que Katy e Calem comprássemos, mas você não me ouviu e por isto perdemos. – contestou Kuro.
    Agora, senhorita Serena, você terá que fazer o que eu quiser, hehehe! – ria Calem de forma que parecia um louco. – Eu quero que você se case comigo!
    Claro que não, idiota! – Serena socou a cara do Calem que voou para longe e colidiu-se com o chão.
    Ainda caído no chão, Calem questionou:
    Mas e o nome acordo?
    Quando você pedir alguma coisa viável e que não seja pervertida, eu cumprirei, mas não vou me casar com você!
    Você quis dizer, “Ainda, não vou me casar com você.” – contestou Calem.
    Calem, idiota!

    Depois do jogo, passamos o resto do tempo com as crianças, jantamos e elas foram dormir. Faríamos o mesmo, mas Serena teve uma ideia.

    Fontes termais? – indagou Katy.
    Sim, o dia foi cansativo, a semana toda na verdade. Um banho nas fontes termais é bem relaxante, do lado do lago onde tem os Lapras, há uma pequena cabana onde há um pequeno lago que é na verdade as fontes termais, banhadas pelo grande lago, onde poderemos tomar banho e relaxar um pouco. – contou Serena.
    Acho, uma ótima ideia! – opinou Eve.
    Então vamos! Lembrando que são dois banheiros, um para as garotas e outros para os garotos! Entendeu Calem! – Serena fitou Calem de forma assustadora, mas ele pareceu que tinha gostado.


    As fontes termais, estavam dentro de uma barraca no lado traseiro, onde não havia teto e sim um pequeno lago que era dividido por um alto muro, que separava o banho masculino e o feminino. Katy estava despida, apenas com uma toalha cobrindo suas partes íntimas, ela encarava o pequeno lago quente enquanto esperava as outras duas. Logo Serena chegou e Eve veio atrás pulando em cima da Katy derrubando sua toalha.
    Eve! O que pensa que está fazendo! Me solte! – reclamou Katy corada.
    Eu sabia! Eu sabia que o seu furisode escondia o verdadeiro tamanho de seus peitos! São maiores do que eu pensava! – comentou Eve, encarando o corpo da Katy que tentava tapar com os braços.
    Pare com isto! – Katy empurrou Eve e entrou no lago para esconder suas partes íntimas. Ela estava completamente vermelha.
    Não seja tão tímida! – riu Eve. Ela então olhou para Serena. – Você também, não é qualquer uma, seu corpo tem muitas curvas!
    Obrigada… Mas, o que você pensa que está dizendo, não é certo você ficar falando disto! – reclamou Serena.
    Mas como estamos em fontes termais, temos que conversa sobre peitos, curvas e tudo do tipo. – contestou Eve.
    Aonde foi que você aprendeu isto?
    Nos mangás, é uma cena clássica! As garotas nestes momentos sempre conversam sobre seus corpos e as vezes tocam os seios uma das outras!
    Que tipo de mangás é que você anda lendo? Entre logo no lago e aproveite o banho! – ordenou Serena.

    Do outro lado da parede, os três garotos estavam pelados e dentro do lago, relaxando e conversando sobre algo muito importante.
    Temos que espiar as garotas! – anunciou Calem.
    Espiar? Não podemos fazer isto. – contestou Kuro.
    Claro que podemos e devemos! Afinal, o senso comum diz que nas fontes termais, os garotos sempre tem que espiar as garotas. – contou Calem.
    Como faríamos isto?
    O muro é bem alto, mas se subirmos nos ombros um dos outros conseguiremos ver do outro lado. Claro que vamos ter que revezar, pois apenas o que ficar por cima poderá ver o paraíso!
    Mas isto é errado!
    Kuro, pense bem! Você poderá ver o lindo corpo da senhorita Serena, apenas se lembre que ela é minha, mas deixarei você olhar ela por hoje. Não apenas da Serena, mas poderá ver o corpo da Katy, que eu sei que esconde dois melões embaixo daquele furisode. E ainda por cima poderá ver uma princesa que nem a Eve nua, tenho certeza que são poucos que poderão dizer que viram o corpo dela, que eu tenho certeza que valerá a pena. – Calem tentava persuadir Kuro e estava funcionando.
    Eu quero…Mas… Eu não sei o que fazer! Shiro, me ajuda! Não é certo fazermos isto, não é? – indagou Kuro.
    Shiro foi até seu irmão, colocou a sua mão no ombro dele e disse:
    Sinto muito, Kuro. Mas Calem, já me convenceu.
    Aaaaa! Tá certo, vamos espionar as garotas! – berrou Kuro.
    Fala baixo, seu idiota! – reclamou Shiro.
    Está certo, eu ficarei em cima primeiro. – anunciou Calem.
    Ei! Isto não é justo, vamos decidir isto com um sorteio. – disse Shiro.
    Está bem.
    Depois de sortearem, quem ficaria em cima primeiro era Kuro, depois Shiro e por último Calem. Os três encostaram no muro, Kuro subiu nos ombros de Shiro que subiu nos ombros de Calem.
    Consegue ver o outro lado? – indagou Calem.
    Estava com bastante neblina, mas olhando atentamente, Kuro conseguiu enxergar as garotas.
    Eu estou vendo! Eu estou vendo. – repetiu Kuro corado. – É muito bom, está valendo a pena! Do outro lado, realmente tem o paraíso!
    O que está acontecendo? – indagou Calem.
    Elas estão conversando. Eve levantou e… – O nariz de Kuro começou a sangrar.
    E… o que? – indagou Calem impaciente.
    Eve apertou os peitos da Katy e Serena ao mesmo tempo. – completou Kuro.
    Eu preciso, ver isto! Saia logo dai! É a minha vez! – disse Calem impaciente.
    Eu venho antes de você! – lembrou Shiro.
    E minha vez ainda não acabou. – reclamou Kuro.
    Eu preciso ver agora! Não consigo me controlar! – Calem começou a se debater.
    Pare com isto se continuar assim, vai nos derrubar! – alertou Shiro.
    Mas eu quero ver o corpo dessas três beldades! – Calem se debatia cada vez mais rápido.
    Vamos cair! – berrou Kuro, ao perceber que Calem se movimentava demais.
    Foi então que o muro em que eles caíram em cima do muro em que se apoiavam e dividia, o banho dos homens e das mulheres, assim o derrubando.
    O que foi isto! – Eve pulou de susto ao ver o muro cair.
    A fumaça formado começava a se dissipar.
    Ai minha cabeça! – reclamou Calem.
    Da próxima vez, se controle! – berrou Shiro.
    Você estragou tudo, Calem. – reclamou Kuro.
    Ainda não, olhem! – Calem apontou para o lado onde as garotas estavam e quando a fumaça se dissipou, eles conseguiram enxergar perfeitamente o corpo nu das três lindas garotas.
    Eles encaravam o corpo delas, pareciam estar hipnotizados.
    O que vocês pensam que estão fazendo! – gritou Eve corada.
    Não me olhem com esta cara! – exclamou Katy envergonhada.
    Eu vou matar vocês! – berrou Serena toda vermelha.
    Quero que sabiam que não importa o que acontecer agora, isto valeu a pena. – disse Calem para Shiro e Kuro que concordaram.
    Pervertidos desgraçados! – berrou Serena, enquanto socou os três para o céu.
    Equipe Nudes, decolando de nova na velocidade da luz! – berrou Calem enquanto voava pelo céu com os outros dois.
    Mas está é a primeira vez que decolamos! – contestou Kuro.
    É só pela referência! – respondeu Calem.

    Depois de tudo que aconteceu, fui dormir, quer dizer tentei dormir, não conseguia parar de pensar no que tinha acontecido, estava muito envergonhada. Virando de um lado para o outro na cama, ouvi um barulho na janela e quando fui ver, era a Zubat de sempre.

    Você veio hoje! Devia ter cindo para festa, foi muito divertida. – disse Katy.
    As duas conversaram por algum tempo.
    As vezes me pergunto, se você está entendendo o que eu falo.
    A Zubat concordou, com se estivesse dizendo que entende.
    Sempre falo de mim, mas de onde você veio? Nos encontramos em Santalune, mas por que passa toda noite por aqui? – indagou Katy.
    A Zubat parecia nervosa e com medo, suas asas batiam mais rápido, ela voava de um lado para o outro e então voou para longe partindo.
    Espera! Me desculpe se a ofendi! – Já era tarde a Zubat j´tinha sumido na escuridão da noite.


    Shiro e Kuro estavam num quarto conversando.
    Me pergunto como o Calem aguenta os socos da Serena, estou dolorido até agora. – disse Kuro.
    Nunca imaginei que ela pudesse socar tão forte. – concordou Shiro.
    Os dois riram.
    Sabe, o por que te chamei aqui? – indagou Shiro.
    É sobre Ludger Bleu, não é?
    Isto mesmo, Kuro. Ele faz parte da família Bleu, aquela que levou Alice. Ele deve ter informações.
    Eu sei, mas acho que por enquanto não devemos fazer nada, ainda não sabemos nem um pouco sobre ele. Além disto, já temos uma pista sobre onde Alice pode estar num certo momento.
    Bem isto é verdade, mas tinha algumas coisas que queria esclarecer com ele.
    Que coisas, Shiro?
    Não é nada! Esqueça que eu disse isto. – Shiro tentou desviar do assunto para não falar do casamento de Alice, que ele ainda não havia contado para Kuro. – Você tem razão, vamos deixar ele de lado, por enquanto.

    Cidade de Aquacorde, 20 de outubro de 2016.

    No outro dia, terminei treinamento com Calem, que foi bem cansativo, mas já me acostumei ao ritmo. Então Serena separou tarefas para cada um, ela pediu para Calem, Kuro e Eve fazerem compras no supermercado, pois a festa do dia anterior tinha esgotado quase toda a comida. Ela pediu para Shiro ajudá-la com algo e me pediu para pegar as crianças na escola junto com Isabele, uma empregada. Fiquei feliz com a minha tarefa, seria uma surpresa para Mirai e as outras crianças quando eu aparece na escola.

    Então é aqui onde as crianças estudam. – Katy fitava uma grande estrutura, mas não chegava nem perto do tamanho da mansão da Serena.
    Sim, logo elas devem sair logo. Tenho certeza que gostaram de ver a senhorita vindo buscá-las. – disse Isabele.
    Para falar a verdade, eu que estou ansiosa. – riu Katy.
    Um sino tocou e poucos segundo depois, uma multidão de crianças saíram da escola, muitas pararam na frente de Isabele que as cumprimentavam, depois de um tempo, todas as crianças da mansão estavam reunidas.
    Muito bem crianças, vamos voltar, mas antes têm uma pessoa que veio buscar vocês hoje. – Isabele revelou Katy para as crianças que ficaram felizes e foram abraçar a garota furisode.
    Assim faz cócegas. – ria Katy enquanto era abraçada.
    Katy, estava com saudades! – disse Mirai a abraçando.
    Mirai! Mas só não nos vemos desde manhã.
    É que eu gosto de ficar perto de você. – Mirai sorriu. – E onde está o Shiro, quero vê-lo! Claro que os outros também.
    Na mansão encontraremos todo mundo! De noite, poderemos conversar bastante e cantaremos muito a música da família Bidoof!
    Sim, vai ser muito divertido!
    Outra coisa, quero agradecer de novo pelo chaveiro do Bidoof. Sei que é muito especial para você e se tornou muito especial para mim.
    O chaveiro é muito especial, por isto dei para uma pessoa que também é muito especial. – sorriu Mirai.
    Mirai. – Katy a abraçou mais uma vez.
    Eu também quero um abraço! – exclamou Jean.
    Ninguém quer te abraçar, Jean idiota! – reclamou Keiko.
    Você só diz isto porque está com ciúmes. – contou Jean.
    Jean idiota! Idiota! Idiota! – berrou Keiko.
    Crianças, já está na hora de voltarmos, em casa vocês podem brincar mais. – alertou Isabele.


    No supermercado, Calem, Kuro e Eve estavam fazendo as compras. Calem levava uma lista com tudo que Serena tinha pedido.
    Acho que logo completaremos tudo. Falta apenas algumas coisas. – Calem lia a lista. – “Ração para Calem, aquele pervertido desgraçado” Por que ela escreveu isto?
    Talvez, porque ontem vocês invadiram nosso banho. – reclamou Eve.
    A culpa não foi nossa que o murro caiu… Até foi, mas não era a nossa intenção. – disse Kuro.
    Sim, mas a intenção de vocês era nos espiar! Deviam procurar outra mangá clichê para tentar imitar! – gritou Eve.
    Olha quem fala! Pelo que me lembro, era você que apertava os peitos das outras garotas. – contou Kuro.
    Você viu? Esqueça disso! Nada aconteceu ontem! – berrou Eve.
    Mas foi você que puxou este assunto. – contestou Kuro.
    Apenas esqueça! Você também Calem! – ordenou Eve.
    Os dois assentiram.
    Puxa vida. E pensar que eu, uma princesa, me deixaria ser vista por três pervertidos. – reclamou Eve, mas então ela viu uma parte do supermercado só para doces. – É um paraíso!
    Ela correu em direção a seção doçura, onde havia diversos tipos de chocolates e outros doces.
    Vamos comprar! – pediu Eve com olhos brilhantes.
    Não! – discordaram os dois ao mesmo tempo.


    Serena e Shiro estavam no lago dos Lapras, junto a William que cuidava de um que parecia doente. Shiro acariciava a cabeça de outro.
    Os Lapras, são criaturas incríveis! São bem mansos e gentis. – comentou Shiro.
    São sim. – Serena se aproximou e acariciou a cabeça do mesmo Lapras.
    Ele está doente? – indagou Shiro fitando William, passando algum tipo de remédio no pescoço de outro Lapras.
    Na está exatamente doente e sim com uma alergia, mas não é nada demais, este remédio, vai parar a irritação em seu pescoço. – respondeu William.
    Você é um médico incrível! Acho que ainda não me agradeci o suficiente por ter cuidado da Katy antes. – disse Shiro.
    William é incrível! Já foi um médico muito conhecido e além disso já fez parte da polícia internacional. – revelou Serena.
    Mas isto é passado, sair da policial internacional a muitos anos e resolver aprimorar minhas habilidades como médico em Sinnoh onde conheci uma jovem doutora com habilidades inimagináveis. Se havia alguma cirurgia que parecia impossível, ela conseguia resolver. – contou William.
    E qual era o nome desta doutora? – indagou Shiro interessado.
    Irisviel Hambart Misaka. – sorriu William. – Queria revê-la, assim como o seu marido loiro.
    Eles continuaram naquele lago, mas tinha algo que Shiro queria perguntar:
    Serena, as crianças sabem dos Lapras?
    Não, achei que seria mais seguro se elas não soubessem. Mas como de alguma forma Ludger parece saber sobre a existência deles, não precisava ter escondido dela. – respondeu Serena.
    Então, por que não mostramos para as crianças? Tenho certeza que elas vão adoram, principalmente a Mirai. – sugeriu Shiro.
    É uma boa ideia, mas hoje não poderá ser feito. É melhor que os Lapras descansem bastante, tenho certeza que as crianças vão esgotar a energia deles. – riu Serena.
    Então, pode ser amanhã?
    Claro!


    Katy voltava para mansão com Isabela e as crianças, mas em um momento de distração a garota furisode se esbarrou num homem alto e caiu.
    Me desculpe, minha jovem. – O homem ajudou Katy a se levantar.
    Não se preocupe a culpa foi minha. – disse Katy.
    O homem era alto com longos cabelos negros e um grande bigode da mesma cor, ele fitou Katy e sorriu.
    Você por acaso é uma garota furisode? – indagou ele.
    Sim, as minhas roupas me entregam. – riu Katy. – Me chamo Katherine Fée.
    Meu nome é Chasseur. – sorriu ele de forma sádica. – Sabe como Valerie está?
    Conhece a Valerie? Que legal! – sorriu Katy. – Tem um tempo que não a vejo, mas ela, com certeza, está muito bem.
    Que ótimo saber.
    Tenho que ir! Te vejo outra vez! – despediu-se Katy.
    Tenho certeza que nos encontraremos novamente. – disse Chasseur.
    Katy já estava longe o suficiente para não ouvi-lo, foi então que ele soltou uma gargalhada descontrolada.
    Quem diria que eu encontraria uma garota furisode por aqui! Eu tenho bastante sorte! Sinto muito Katherine, mas por causa da Valerie, a minha vingança cairá sobre você. – gargalhava Chasseur.
    A Zubat observava Chasseur de longe de forma que estivesse escondida.

    A noite logo chegou e como normalmente, fui para a biblioteca estudar junto de Shiro e Mirai. Conversamos bastante e Shiro disse que amanhã mostraria um Lapras para Mirai, algo que deixou ela muito feliz. Começava a sentir que se Mirai sorria, eu também sorria. Terminei de estudar, mas então Ludger apareceu novamente, tentando comprar a mansão e como ontem, Serena o rejeitou. Depois disto fui para meu quarto dormir, onde encontrei a Zubat.

    Zubat! Me desculpe, por ontem, não queria ter te magoado.
    A Zubat mexia a cabeça com se estivesse querendo trocar de assunto.
    O que foi?
    Ela voava de um lado para o outro, parecia com medo.
    Zubat, você está bem?
    As asas delas batiam bem rápido e ela tentava puxar Katy, como estivesse tentando avisá-la de algo.
    Desculpe, Zubat. Mas não estou entendendo. Amanhã você tenta me explicar melhor, hoje estou com bastante sono e preciso dormir. Nos vemos amanhã.


    Já estava bem tarde da noite, Shiro estava saindo da mansão escondido para que ninguém o visse.
    Me desculpe, Kuro. Sei que concordamos, eu não fazer nada por enquanto, mas eu preciso saber mais sobre o casamento da Alice, só assim conseguiremos pará-lo. – pensou Shiro.
    Saindo da mansão, ele tomou o caminhou por onde Ludger vinha e depois de perguntar a algumas pessoas, chegou em uma mansão, não tão grande quanto a da Serena, mas tinha um tamanho considerável. Era lá, onde Ludger morava, pelo menos enquanto ele estava em Aquacorde.
    Parece que não tem muitos guardas, nem câmeras. Será fácil de entrar. – pensou Shiro olhando de longo com um binóculo.
    Shiro caminhou até o lado da mansão de forma que não fosse notado. Ele viu uma janela aberta, observou para ver se estava seguro e entrou.
    Agora a parte difícil, vai ser encontrá-lo. – pensou Shiro ao colocar uma mascará preta.
    Ele havia entrado num quarto cheio de gavetas e prateleiras, havia também uma mesa com uma grande folha de papel, parecia ser a planta de algo.
    O que é isso? – indagou Shiro para se próprio. Ele aproximou da folha e era um mapa da Floresta de Santalune com, algumas máquinas desenhadas em diversos locais da floresta. – O que será que isto significa?
    De repente, Shiro ouviu algo, alguém estava vindo, se embaixo da mesa. Dois homens entraram, Shiro não reconhecia as vozes deles.
    Aqui esta! – disse um homem ao pegar o mapa da Floresta de Santalune em cima da mesa que Shiro se escondia. – Vamos levar para Mauser.
    Tem alguma ideia de quando o plano será posto em prática? – indagou o outro homem.
    Ouvi dizer que assim que ocorrer uma explosão.
    Não entendi.
    Te explico melhor depois, agora temos que levar isto para Mauser.
    Tem razão.
    Os dois homens saíram do quarto e Shiro que prendia a respiração para não fazer nenhum barulho, voltou a respirar normalmente. Saiu debaixo da mesa e viu que o mapa tinha sido levado.
    Explosão? Isto está ficando cada vez mais suspeito. – pensou Shiro.
    Ele saiu do quarto e foi andando pelos corredores, sempre se escondendo se ouvisse alguém, chegava na frente das portas e olhava através da fechadura para ver se encontrava Ludger. Depois de muito tempo procurando, encontrou o quarto onde Ludger estava, por sorte o nobre estava sozinho. Shiro bateu na porta e espero a resposta.
    Quem está me incomodando a esta hora da noite? – Ludger abriu a porta e não viu ninguém.
    Shiro se escondia do lado da porta para que não pudesse ser visto e assim que Ludger fecharia a porta, Shiro revelou-se dando um soco na cara de Ludger e fechando a porta. Ludger caiu no chão e olhou para Shiro com uma expressão de raiva.
    O que você quer? Seu desgraçado! – berrou Ludger.
    Estou surpreso, achei que a sua primeira reação seria chamar seus guardas. – contou Shiro.
    Isto seria idiotice, assim não saberia o porquê de um maluco de máscara preta estar invadindo minha casa. – disse Ludger.
    Interessante a forma que você pensa, mas quem faz as perguntas sou eu. – contestou Shiro.
    E o que você quer me perguntar. – Ludger parecia calma, apesar de ter acabado de receber um soco e ter um estranho na sua casa o interrogando.
    Qual seu objetivo?
    Acho que o mesmo da maioria das pessoas. Morrer bem velho, rico, numa cama luxuosa ao lado de duas lindas e jovens mulheres nuas.
    Você é bem engraçado, mas não estou com o clima para piadinhas! Eu quero saber qual seu objetivo vindo para Aquacorde?
    Sinto muito, mas não posso te dizer isto, eu prometi guardar segredo e promessas não devem ser quebradas. – debochou Ludger.
    Não se preocupe, eu quebro essas promessas para você! – Shiro socou a cara de Ludger mais uma vez.
    Esta doeu. Sabe, você deveria ficar mais calmo, se ficar nervoso, não conseguirá nenhuma resposta.
    Por que ainda não revidou?
    Se revidasse, provavelmente ficaria sem saber o que você realmente quer. Não posso te responder a pergunta anterior, tem alguma outra?
    Shiro engoliu seco e finalmente perguntou:
    Alice Bleu e seu casamento. Como posso encontrá-la antes?
    Você está procurando aquela vagabunda desgraçada!
    Shiro o socou novamente.
    Não fale assim da Alice. – alertou Shiro.
    Ludger cuspiu sangue e levantou-se.
    Por acaso é apaixonada por ela? – indagou Ludger, mas não houve resposta. – Bem, eu a odeio. Eu vivia minha vida de forma boa, mesmo não sendo o favorito de meu pai, ainda assim ele parecia se importar comigo. Mas assim que aquela garota apareceu, se tornou a favorita da família, tudo por causa da habilidade especial dela. Depois eu fui jogado de lado como se fosse lixo e me pai nunca me olhou como olhava para aquela vadia! – berrou Ludger.
    Outro soco foi sentido por Ludger, o fazendo cuspir mais sangue.
    Já disse para não falar assim dela! Me responda, como posso encontrá-la antes do casamento?
    Se você sabe sobre o casamento, já deve ter pesquisado bastante. Mas sabe, eu estou pouco me ferrando por ela, não me importo se vai se casar com um deus ou um demônio, eu quero mais é que ela vai para o inferno e queime até a morte de forma dolorosa!
    Shiro não conseguia mais conter a sua raiva e pulou em cima de Ludger começando a socá-lo sem parar. Ludger que não revidava até então, chutou a barriga de Shiro, o tirando de cima dele e o jogando para o outro lado. Ludger foi até Shiro e chutou a sua cara.
    Acho que o seu tempo para perguntas acabou. – disse Ludger ao puxar a mascará de Shiro. – Você até que é bonito, vai ser uma pena quebrar a sua cara.
    Ludger tentou socá-lo no rosto, mas Shiro acertou a sua barriga primeiro e depois chutou o seu rosto o derrubando no chão perto de uma prateleira.
    O que você disse mesmo? Quebrar a minha cara? – ironizou Shiro.
    Ludger riu.
    Você é bem durão moleque, pena que esta luta, não será feita apenas com os punhos. – Ludger pegou uma espada na prateleira ao seu lado, tirou da bainha e tentou cortar Shiro ao meio que por pouco desviou.
    Tem bons reflexo e parece ser ágil. Posso saber quem te treinou? – indagou Ludger.
    E porque acha que fui treinado por alguém?
    Eu não sou idiota garoto. Acha mesmo que um garoto normal conseguiria invadir esta mansão sem que ninguém percebesse, além disto sinto que algo diferente em você.
    Você pode estar certo, fui treinado por alguém. Mas eu me recuso a repetir o nome daquele desgraçado, outra vez! – berrou Shiro.
    Se é assim, vamos terminar logo com isto. – Ludger correu na direção de Shiro e tentou o cortar com a espada, Shiro conseguiu desviar da maioria dos golpes, mas Ludger conseguiu fazer um grande corte em seu braço esquerdo e sangue começou a vazar.
    Shiro tentava parar o sangramento, mas não conseguia, o corte tinha sido mais profundo do que esperava. A dor era muita, sem outras opções, Shiro correu para fora do quarto e tentou fugir, apenas ouviu Ludger gritando:
    Homens tem um fugitivo! Peguem ele!
    Shiro correu e na primeira janela que viu, pulou nela, como estava fechada a quebrou e caiu fora da mansão, continuou a correr até despistar aqueles que o seguiam.
    Dentro da mansão, Ludger limpava sua espada do sangue de Shiro. Foi então que Yuki apareceu.
    Você estava vendo tudo? – indagou Ludger.
    Sim. – respondeu Yuki friamente.
    Por que não matou ele?
    Se eu matasse, não teria graça. – Sua expressão continuava vazio como se não sentisse nada.
    Achou algo interessante nele?
    Sim. Fiz algumas pesquisas sobre ele e sinto que ele pode me divertir muito no futuro.
    Se ele não atrapalhar a missão, pode fazer o que quiser com ele. – prometeu Ludger.
    Muito obrigada, estou muito feliz. – Apesar do que falava, seu rosto continuava imóvel.
    Já fez o que havia pedido?
    Sim. – disse Yuki. – Bem, acho que esta será a última vez que nos encontraremos. Meu tempo está acabando.
    Como assim? – perguntou Ludger.
    Na próxima vez que nos encontrarmos, provavelmente não serei a mesma Yuki.
    Então os boatos sobre sua personalidade são verdadeiros. – Ludger sorriu. – Ficarei ansioso para conhecer a outra Yuki.
    Shiro conseguiu chegar na mansão da Serena, mas estava com um grande corte no braço e o pior estava sangrando, tentou entrar de forma que não fosse percebido, mas ao abrir a porta, Serena estava lá sentada numa cadeira o esperando. Ao ver Shiro, ela não disse nada, apenas olhou o seu braço e tocou no seu braço.
    Está doendo? – indagou ela.
    Um pouco. – respondeu ele.
    Mentiroso, sei que está doendo muito. – disse Serena. – Me siga, vou parar este sangramento e fechar a ferida.
    Serena levou Shiro até um quarto onde havia diversos remédios e coisa do tipo. Ela limpou o braço de Shiro e começou a costurar a ferida.
    Isto vai doer um pouco. – disse Serena assim que enfiou a agulha na ferida de Shiro.
    Shiro não entendia, o que estava acontecendo.
    Como e por quê? – indagou ele.
    Eu vi você saindo mais cedo, então resolvi esperar até que você voltasse, estava preocupada, afinal você também é meu amigo. – explicou Serena.
    Por que não pergunta nada?
    Você teve suas razões, além disso, sei que você foi até o Ludger e era por causa de sua antiga amiga, Alice, não era? – Serena continuava a costurar o braço de Shiro.
    Milhares de perguntas passavam pela cabeça de Shiro.
    Se quer saber como sei de tudo isto, é porque eu pesquisei sobre vocês.
    Shiro focou supresso nunca havia imaginado que Serena teria feito isto.
    Não me olhe com esta cara de bobo. Acha mesmo que eu deixaria vocês passaram as noites aqui sem que eu soubesse se poderia confiar em vocês? – questionou Serena de forma retórica.
    Faz sentido. – comentou Shiro.
    Através do sobrenome de vocês descobri que Bretteur, era um orfanato onde você e o Kuro moravam, descobrir também sobre uma garota que andava muito com vocês, mas foi levada pela família Bleu, não sei dos detalhes do que aconteceu, apenas que desde então vocês estão procurando por ela. Sobre Katy, as roupas delas e o nome Fée já a entregavam, além de que ela é um livro aberto. – riu Serena.
    Então você já sabia que a Eve era uma princesa?
    Na verdade, tinhas minhas suspeitas, como ela omitiu o sobrenome não tinha certeza, mas por causa de seus cabelos lilas e amarelos, foi fácil descobrir sua identidade, afinal não existem muitas garotas que nem ela. Quando ela revelou ser uma princesa, fingi ter ficado surpresa, apesar de ter ficado um pouco, não por ela ser uma princesa e sim por ela ser como é. – Serena riu novamente. – Quero te alertar que sinto que ela esconde algo, claro que não sou a melhor pessoa para dizer isto afinal também tenho meus segredos, mas é bem estranho uma princesa andar sozinha pela região, todos os nobres que conheci antes, sempre andavam com diversos servos.
    Talvez, ela só seja diferente. – riu Shiro. – E se ela estiver escondendo algo, ela tem o direito disto, afinal ela não é a única.
    Serena terminou de costurar o corte do braço de Shiro e pegou ataduras para entolar seu braço.
    Como você sabe fazer tudo isto? – indagou Shiro.
    Não é muito difícil, William me ensinou tudo, ele acha que devo saber, pelo menos, um pouco de medicina. – respondeu Serena.
    Eu não sei muito, mas quando era pequeno tive que aprender um pouco sobre primeiros socorros. – contou Shiro.
    Bem, agora está tudo pronto. – Serena terminou de enfaixar o braço de Shiro. – E não se preocupe não vou falar para ninguém sobre o que aconteceu hoje, mas você vai ter que arranjar um jeito de explicar esta atadura.
    Muito obrigado, Serena.

    Cidade de Aquacorde, 21 de outubro de 2016.

    No outro dia, treinei novamente com Calem, ele estava pegando mais pesado que de costume, mas só assim para eu continuar melhorando. Depois disto, eu me ofereci para ir buscar as crianças com Isabele, Shiro também quis ir, pois no dia anterior ele havia prometido a Mirai que iria buscá-la. Quando vi Shiro pela primeira vez no dia me assustei, ele estava com uma atadura enorme no braço, ele disse que apenas tinha caído da cama e se cortou com a madeira que estava solta no chão, pode ter certeza que foi um corte bem feio. Quando chegamos na escola, encontramos as crianças, mas duas haviam desaparecidos.

    Cadê a Mirai? – indagou Shiro preocupado.
    E não é só ela, o Jean sumiu também. – completou Katy.
    As crianças pareciam agitadas, queriam saber onde estavam seus amigos.
    Tenham calma, logo os dois devem aparecer. – disse Isabele tentando acamá-los.
    O Jean disse que iria no banheiro e não voltou, já a Mirai desapareceu assim que o sino tocou. – contou Keiko tremendo de preocupação.
    Katy abaixou-se e disse:
    Vai ficar tudo bem, não se preocupe.
    Se vocês não fazerem nada, não vai não. – disse uma voz familiar. Era uma voz gelada, fria e sem emoções, Katy e Shiro nunca esqueceriam está voz. Ela vinha de trás e quando eles se viraram viram Yuki.
    Katherine começou a tremer e Shiro apertava os punhos.
    O que você quer? – indagou ele.
    Não se preocupem, não vou fazer nada com vocês hoje. Eu vim pacificamente, estou até sorrindo, não percebe? – O rosto de Yuki continuava sem expressões.
    Você quase mata a Katy e depois vem com essa conversa! – berrou Shiro.
    Exatamente quase, além disto, ela me parece muito bem, tirando o fato que está tremendo. – A expressão de Yuki não mudava. – Por que você está tremendo, Katherine Fée?
    Katy tentou responder, mas nenhuma palavra saia de sua boca, ela apenas apertava o próprio seu como se estivesse sentindo dor.
    Não vou deixar você machucar a Katy outra vez! Se o que diz é verdade, diga logo o que ver e vá embora! – exclamou Shiro.
    Duas crianças desaparecerem, não foi? Continuar aqui não vai ajudar nada, a melhor coisa que podem fazer é voltarem para a mansão de Serena Akari, lá devem receber algumas respostas. Dito isto me despeço, afinal meu tempo está acabando. Na próxima vez que nos encontrarmos, eu não serei a mesma Yuki. Até mais. – Todas as palavras foram ditas no mesmo tom, sem que demostrasse nenhuma emoção, logo depois partiu.
    A ver Yuki sumir, a tremedeira de Katy passou.
    Você está bem? – indagou Shiro.
    Sim.
    Devemos voltar para a mansão como ela disse, Serena precisa saber disto.

    Voltamos para a mansão, contamos tudo para Serena e os outros, estava bastante preocupa, segurava meu chaveiro do Bidoof que Mirai tinha me dado e apertava com força, rezando para que ela estivesse bem. Logo depois, Serena recebeu uma ligação.

    Alô. – disse ela.
    Você deve ser Serena Akari, é um prazer falar com você, mas antes poderia colocar no viva voz, gostaria que todos ouvissem. – Serena fez como pedido. – Vocês já devem ter percebido que duas adoradas crianças sumiram, um menino chamado Jean e uma adorável menina chamada Mirai.
    A voz do homem do outro lado, Katy a reconheceu de algum lugar, mas não se lembrava de onde.
    Se você fizer qualquer coisa com elas, pode ter certeza que eu… – Serena foi interrompida pela voz do homem.
    Você não está entendendo, quem faz as ameaças aqui sou eu ou você quer que algo aconteça com estas crianças.
    Serena engoliu seco e ficou calado.
    A jovem Katherine, está ai? Se ainda não percebeu, nos conhecemos ontem. Sou eu Chasseur, aquele homem alto de bigode. Devo agradecer muito a você, escolhi as crianças que raptaria por sua causa, tenho certeza que deve ter gostado das escolhas.
    Katherine sentia raiva e medo.
    O que você quer? – indagou Katy.
    Vou direto ao assunto, eu quero que a Serena venda a mansão dela para Ludger Bleu nas próximas 24 horas, quando ela fazer isto devorei as crianças, e se mais de 24 horas passarem, ainda devolverei elas, mas não vivas. É só isso mesmo, tchau! – Chasseur desligou.
    Ludger, aquele desgraçado está por trás disso! – gritou Serena.
    O que vamos fazer? – indagou Katy.
    Não podemos vender a mansão. – disse Serena.
    Mas também, não podemos deixar aquele desgraçado matar a Mirai e o Jean. – falou Calem.
    Talvez vender a mansão seja a melhor opção. Podemos capturar os Lapras e libertá-los no mar depois. – sugeriu Shiro.
    Eu não recomendaria isto, os Lapras já se adaptaram ao ambiente daqui e uma troca bruta como essa pode afetá-los. Além disto, já ouvi falar desse tal de Chasseur, ele é o chefe de um grupo de mercenários chamado de “Os Caçadores”, as histórias sobre eles não são muito boas, e posso dizer, com certeza, que ele não vai cumprir a parte do trato. – contou William.
    O que faremos, então? – indagou Kuro.
    Vamos contar a polícia. – respondeu Serena. – Eles rastreiam o número pelo qual Chasseur me ligou e vão atrás dele, assim salvando as crianças.
    Vale a pena tentar. – concordou Calem.
    Assim como Serena sugeriu ligaram para a polícia, Serena contou tudo, mas não receberem a resposta que esperavam:
    Sinto muito, mas não podemos fazer nada por sua situação.
    Vocês não estão entendendo, duas crianças foram sequestradas, vocês tem que ajudá-las.
    Isto está fora de nosso alcance, não ligue mais. – O policial da outra linha desligou.
    Por que ele fez isto? – indagou Eve.
    Ele foi subornado, falando a verdade, a polícia toda já deve ter sido subornada. Aquele Ludger desgraçado, pensou em tudo! – berrou Serena.
    Sem saber o que fazer pareciam desesperados, foi então que o celular da Serena tocou outra vez, e era Chasseur novamente.
    Vocês não deviam ter ligado para polícia. Eu não gostei nem um pouco disso. Este assunto é para ser resolvido apenas entre a gente. Para mostrar que estou falando sério, quero que ouçam uma coisa.
    O telefone ficou mudo por um tempo, depois ouviram as vozes de Jean e Mirai.
    Não faça isso, por favor! – berrava Mirai enquanto chorava. – Deixe o Jean em paz!
    Por favor, não, não! – Depois de um barulho de algo quebrado, Jean soltou um alto grito de dor.
    O braço do Jean! Por que estão fazendo isto? – chorava Mirai.
    Agora, quebrem o dela. – disse Chasseur.
    Não, por favor! – Crack, foi o que ouviram, antes de berros e choros de dor.
    Tanto Mirai quanto Jean gritavam e choravam, por causa da dor que sentiam. Todos no outro lado do telefone se sentiam incomodados com o som, sentia uma grande mistura de sentimentos ruins.
    Tirem eles daqui! – disse Chasseur.
    O telefone ficou mudo por mais um tempo e então, Chasseur voltou a falar:
    Se falarem de novo com mais alguém sobre isto, quebrarei as pernas deles. Não demorem muito de decidir, o tempo está passando. Tique-taque, tique-taque. – Chasseur desligou.
    Aquele desgraçado! Não acredito que fez algo tão terrível! – berrou Serena.
    Todos pareciam tristes, desesperados e sem nenhuma esperança. Katy sentia o mesmo, mas ainda assim não queria desistir.
    Não podemos ficar assim! É exatamente isto que ele quer, nos deixar, perdidos e desesperados. Se não podemos contar com ajuda da polícia, nos vamos resgatar a Mirai e o Jean como nossas próprias mãos. – disse Katy.
    Como acha que conseguiremos fazer? – indagou Serena.
    Chasseur nos deu 24 horas, vamos pensar num plano para salvarmos as crianças. – respondeu Katy.
    E você acha que será assim tão fácil? Tenho certeza que Chasseur e Ludger já devem ter pensado em tudo, conseguir salvar as crianças será algo quase impossível. – contou Serena.
    Eu nunca disse que seria fácil…Mas não podemos perder a esperança, não podemos desistir! Temos que fazer algo! – Katy segurava o chaveiro do Bidoof com força. – Eu quero brincar com a Mirai e o Jean, outra vez, por isso não vou desistir!
    Você não leva jeito mesmo. – disse Serena. – Estou de acordo, vamos salvá-los.
    Se a senhorita Serena diz, eu também estou dentro. – justificou Calem.
    Eu prometi que mostraria os Lapras para a Mirai e não vou voltar atrás de mim promessa. – contou Shiro.
    Com certeza, vamos salvar as crianças. – falou Kuro.
    Vamos chutar a bunda de Ludger, Chasseur e de qualquer outro cara mal! – exclamou Eve.

    Tudo parecia estar se desmoronando, mas não podíamos desistir, tínhamos que continuar, tínhamos que salvar a Mirai e o Jean. Mesmo com tanto desespero, lutaríamos e mostraríamos para Ludger e Chasseur que ainda há esperança.

    Cidade de Aquacorde, 22 de outubro de 2016.

    Chasseur estava sentado em uma cadeira fitando um relógio.
    Metade do tempo, já se esgotou. É bom que vocês se decidam logo. Afinal, o tempo está acabando. – disse Chasseur para ninguém. – Tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque…


    Tique-taque.
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